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Artigo de Opinião

AMBIENTES DE APRENDIZAGEM COMO DIFERENCIAL DE INOVAÇÃO NA INFRAESTRUTURA PARA AVALIAÇÃO IN LOCO

 Marcella Silveira Tosetto

Arquiteta, Especialista em

Espaços de Aprendizagem Inovadores

Diogo Oliveira Almeida

Acadêmico de Engenharia Ambiental, UnB

Suzana Schwerz Funghetto

Educadora Especial, Mestre em Educação,

Doutora em Ciências e Tecnologias da Saúde

 

A concepção do projeto pedagógico de qualquer curso de graduação deve ser descrita a partir do perfil do egresso e das diretrizes curriculares vigentes. Para tal, a definição do perfil do egresso deve conter um estudo sobre a capacidade de oferta institucional, o diferencial da formação, além de explicitar como serão trabalhados no currículo, conhecimentos, habilidades e atitudes, com a utilização dos recursos disponíveis para solucionar, com pertinência, os desafios que se apresentam à prática profissional, em diferentes contextos da formação.

O desenvolvimento das competências profissionais segundo o movimento advindos das diferentes diretrizes curriculares por parte do Conselho Nacional de Educação requer a articulação entre conhecimentos, habilidades e atitudes explicitadas no perfil do egresso, devendo mobilizar as dimensões do currículo, da metodologia, do processo avaliativo, do corpo docente e da infraestrutura.

Entre as inovações implantadas pelas IES encontram-se o desenvolvimento de currículos orientados para o desenvolvimento de competências, por meio de metodologias ativas de aprendizagem, que visam potencializar e construir capacidades voltadas à formação de qualidade através do desenvolvimento de estratégias, atividades e a avaliação de desempenho moduladas para promover aprendizagem significativa dos alunos.

Uma das soluções encontradas para pôr em prática as metodologias ativas tem sido o desenvolvimento de ambientes caracterizados como espaços de aprendizagem que estimulam a colaboração e a criatividade, dando significado às competências e habilidades a serem aprendidas no currículo.

Nesse novo conceito de espaços de aprendizagem a infraestrutura deve ser observada não como um fim das atividades acadêmicas, mas como elemento balizador das ações institucionais estimulando de forma inovadora o desenvolvimento das metas estabelecidas no Plano de Desenvolvimento Institucional – PDI.  Inovar na infraestrutura significa também colocar em prática o modelo acadêmico adotado pela instituição. Ou seja, se a metodologia é ativa o espaço tanto da infraestrutura tecnológica como da infraestrutura física devem estimular a comunidade acadêmica de forma diferente, considerando a facilitação/potencialização de suas dinâmicas específicas de acordo com cada área do conhecimento.

Em muitas instituições o conceito de sala invertida lidera a proposta atual de inovação. Será que apenas as salas invertidas são inovadoras?  Existe outra forma de inovar e ter sucesso na avaliação in loco do Sistema Nacional de Avaliação da Educação Superior?

A solução encontrada tem que traduzir os movimentos institucionais a partir de um plano de estruturação desses espaços, a projeção do crescimento da infraestrutura(física e tecnológica) bem como a qualificação desses ambientes para o desenvolvimento de todas as políticas previstas no PDI , tais como:

  • estruturar e/ou reorganizar todos os prédios, buscando harmonização dos ambientes e uma identidade visual que valorize a instituição (ambientes construídos e não construídos);
  • implementar espaços de aprendizagem sem esquecer de atender às normas de acessibilidade, de segurança contra incêndio, de programação visual/sinalização e demais normas pertinentes;
  • criar espaços para convívio, tanto nas novas edificações quanto nas reorganizações e revitalizações de espaços existentes, a fim de ressignificar e valorizar espaços que por muitas vezes são tratados como residuais, promovendo encontro, troca e senso de comunidade;
  •  priorizar, no projeto de novas ambiências (construídas ou não construídas) ou na revitalização de ambiências existentes, a utilização de uma linguagem contemporânea, inovadora, funcional e de qualidade estética, adaptada ao contexto em que se insere prevendo inclusive a utilização de outros idiomas e sinais;
  • adotar conceitos de arquitetura bioclimática nos projetos de novas edificações, buscando soluções tecnológico-sustentáveis (tanto construtivas, como de funcionamento), associadas às atividades de ensino-pesquisa-extensão previstas para o período de vigência do PDI;
  • priorizar a utilização de pisos drenantes e/ou pisograma nas áreas sem cobertura a serem pavimentadas, ampliando as áreas permeáveis e melhorando as condições de drenagem pluvial, trabalhando essa ação dentro da politica ambiental;
  •  afirmar a unidade projetual de conjunto/paisagem, porém com a garantia da identidade de cada intervenção;
  • projetar quando for o caso novas edificações, ponderando a expansão do espaço e de sua utilização a partir do compartilhamento de usos e funções;
  • implantar/transformar os espaços externos da instituição de forma gradual revitalizando os espaços de socialização já existentes com objetivo de propiciar um espaço articulador e de interface de comunicação com a comunidade externa;
  • readequar as edificações já consolidadas, de uma forma gradual, para adaptarem- se às novas medidas de qualificação de espaços de aprendizagem.

 

Inovar na avaliação in loco também pode significar a elaboração de uma política de espaços de aprendizagem (inclusive prevendo adaptações tecnológicas), além de estabelecer características mínimas às atividades de ensino, propor modulações de atendimento às diferentes capacidades e uma unidade no tratamento visual aos ambientes.

Nesse sentido, não podemos esquecer que soluções como o reaproveitamento de móveis, ou a reforma destes, devem ser considerados inclusive para o desenvolvimento de politicas ambientais sustentáveis.

Os espaços livres voltados para o convívio devem ser vistos como espaços de aprendizagem pois estimulam a interação, a promoção de eventos culturais e ações acadêmicas. É possível ainda agregar os ambientes de socialização dos campi com o entorno, trazendo a evidência do cumprimento da responsabilidade social, integrando a instituição com a comunidade externa através de atividades de extensão.

É natural que nesse reaproveitamento também sejam observadas ações de planejamento e não apenas de gestão do espaço criando uma estratégia para orientar a ocupação com qualidade ambiental, sustentabilidade e planejamento macro a longo prazo. Trata-se de uma mudança de paradigma pois qualquer espaço poderá ser de aprendizagem desde que esteja justificado no modelo acadêmico adotado pela instituição.

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