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Pesquisas na Antártida são afetadas por cortes

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No verão austral 2019/2020, o Brasil deverá realizar a 38ª Operação Antártica (Operantar XXXVI), expedição de pesquisa na Antártida, que vem ocorrendo desde 1982, como parte do Programa Antártico Brasileiro (Proantar). Como raríssimas vezes aconteceu, no entanto, os cortes e contingenciamentos orçamentários impostos pelo atual governo federal nas áreas de ciência e educação colocam em risco a continuidade do trabalho de pesquisas de cientistas brasileiros naquelas paragens geladas.

Muitos pesquisadores e bolsistas já não poderão participar da Operantar XXXVI, na qual será inaugurada a nova Estação Antártica Comandante Ferraz (EACF), e projetos de pesquisas poderão ser paralisados a partir do ano que vem.

Uma vastidão deserta e gelada de 14 milhões de quilômetros quadrados – uma vez e meia a área do Brasil -, onde a temperatura pode chegar a quase 90°C negativos, com ventos de mais de 320 quilômetros por hora, e praticamente sem chuvas poderia ser considerada apenas uma região inóspita e estranha, de interesse para poucos, como aventureiros, amantes de boas fotos, de pinguins e das esquesitices do planeta Terra. É um grande engano.

“Apesar de ser mais conhecida pela presença de gelo e neve, a Antártida possui complexos ecossistemas, muitos deles pouco conhecidos e até alguns ainda desconhecidos”, diz o pesquisador Luiz Henrique Rosa, da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), coordenador do projeto MycoAntar do Proantar, que estuda fungos com possíveis propriedades medicinais.

De acordo com ele, esses ecossistemas abrigam seres vivos únicos e adaptados às condições extremas da região e que estão isolados geograficamente do restante do planeta. “Em outras palavras, a Antártida possui uma biodiversidade pouco conhecida pela ciência”, explica. “Por estarem sem contato com o mundo de fora, esses organismos, representados por animais, plantas e principalmente pelos micro-organismos, têm o potencial de produzirem substâncias de interesse em processos biotecnológicos.”

Eles podem ser comparados a fábricas vivas, capazes de produzir diferentes substâncias bioativas, entre as quais muitas com diferentes atividades biológicas.

Fonte MEC

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